Ela é tatuadora, ilustra seus próprios desenhos postos na pele e não tem medo de se fazer presente em um universo frequentemente masculino.

A Nina é uma mulher singular. Desbravadora. A brasiliense radicada no Rio de Janeiro deixou pra trás a 03 anos um curso de direito para buscar o que a movia internamente. Por aqui ela divide um pouco do seu dia a dia e nos prova que com determinação & coragem adquirimos a força necessária para alcançar nossos goals.

Nina, você vem se destacando cada vez mais com o seu trabalho como tatuadora. Conta pra gente como é trabalhar em um ambiente usualmente masculino? Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher?

O processo é gradual e a caminhada é diária. Conviver com tantos homens me faz aprender muito sobre mim, e tento fazê-los aprender com minha experiência num mundo machista. Tento transformar uma situação que poderia me magoar, em aprendizado e amadurecimento. O “preconceito” está enraizado. O mais clássico é a falta de clientela do sexo masculino. A grande maioria dos homens prefere tatuar com homens. Isso é inconsciente, na maior parte das vezes. Homens são ensinados a confiar mais no trabalho de outros homens. Suas referências acabam sendo normalmente masculinas. Quando a gente fala de tattoo, muitas das vezes se pega falando “tatuador”, ao invés de considerar a possibilidade de existência de minas no role. Mas a cena feminina da tattoo cresce cada dia mais. Estamos juntas <3.

Quando a inspiração é feminina, que mulher(es) você tem como exemplo?

Na tattoo, busco referências sempre femininas. São muitas. Na arte em geral, fotografia, ilustração, etc., busco sempre ter como referências outras mulheres. De tempos pra cá temos percebido a diferença de buscar referência em outras mulheres. Que entendem nossas questões, fraquezas, tudo. Só mulheres entendem outras mulheres. Temos que nos apoiar, unidas nos fortalecemos.

Qual foi a sua maior motivação ao se mudar de cidade e transformar a sua vida para o momento em que você está vivendo hoje?  

Minha maior motivação foi querer seguir o que minha mãe sempre me disse para fazer, apesar de a mesma não ter feito isso por si só: ser uma mulher independente. Sempre quis a independência financeira. A ideia de não ter quem me cobre algo sempre me interessou, e acabei percebendo que quando não tem mais ninguém para nós cobrar, a gente acaba sendo mais rigorosa consigo mesma. E isso me fez crescer muito. Ter saído de casa mais cedo do que o planejado pela minha família com certeza foi a melhor decisão que tomei. O privilégio do apoio moral de uma mãe que me receberia de volta se nada desse certo me possibilitou arriscar tudo, e sou grata todos os dias por isso.

No momento de criação das ilustrações, tatuagens, fotografias, o que te inspira?

Mulheres. As histórias; os corpos, sempre tão únicos, cada um de um jeito completamente único; a forma de ver o mundo, tudo. Mulheres me inspiram toda hora, todo dia.

Você já mudou o visual algumas vezes. Como você enxerga cada mudança? As mudanças físicas refletem também em comportamento? A propósito, adoramos você com o cabelo curto ;)

Hahaha!! Obrigada. Bom, não sei definir se a mudança começa fora ou dentro, mas certamente sempre andam juntas. Agora, por exemplo, estou me sentindo bem comigo mesma. Tanto por dentro quanto por fora. A cabeça tá quietinha, o coração também, então fico quietinha no cabelo também. O cabelo geralmente é uma forma de marcar novos inícios pra mim, mas pode ter infinitos motivos pra acontecerem. Hehehe.

Qual a sua peça ks preferida?

Maiô Gola

Que mensagem para as outras meninas/mulheres que acompanham o nosso jornal você gostaria de deixar?

Sigamos nossos sonhos, provemos pra essa sociedade machista que quem manda em nossos destinos somos nós, mais ninguém. Não nos calemos e seguimos unidas!  

Conheça a Nina Fontenelle  @ninafontenelle

ks preferida da Nina